quarta-feira, 28 de abril de 2010

complexo sistema de desparticularização do meu cérebro.

      O meu problema com Ruy Filho começa assim: ele vem pro rio de janeiro em 2009, me larga uma pérola  em menos de uma semana(pérola essa que se chamava complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade),pra eu ficar pensando meses e meses a fio e vai embora. ok!
                                       Obrigada, mas a questão é, porque  ficar pensando?
Eu não conseguia entender direito, mas a questão ficava ali, martelando. e eu acompanhando pela internet como as coisas iam e o que se passava, ou lendo um artigo aqui e ali.
       Lançado Emvão , via as fotos espetaculares e ficava repetindo, preciso ir pra são paulo ver isso, preciso, preciso e nada, um dia cismei e fui e esse dia foi ontem, terça feira, dia 27.
Cheguei no Rio Verde e vi um rosto familiar, pedi pra entrar mais cedo, e fiquei tentando ler mais um capítulo do livro do nietzsche, mas não consegui, por ansiedade e por que não conseguia pensar no momento,que ele escolheu um capítulo quase inteiro pra dar sua opinião sobre outros colegas de trabalho, mortos e vivos da época dele. abortei, fumei vários cigarros, andei de um lado pro outro, encontrei uma senhora elegante que me indicou simpaticamente o caminho do banheiro e contou curiosidades sobre a cachorrinha que mora ali, e depois não sei como a hora passou e entrei pro espetáculo com uma mala gigantesca e aquele traje de carioca que não sabe se vestir no frio, tudo bem, apertem os cintos e vamos lá. No primeiro momento de peça vem o primeiro tapa "quanto mais penso, menos me sobra espaço", e mais imagens perfeitas e engrenagens que davam a impressão de que tudo já nasceu pronto,ali agora no mesmo momento em que morreu e passou, e eu saí daquele universo por alguns momentos e pensei: "queria ficar na cabeça desse cara por 30 segundos, só pra entender de onde sai", mas enquanto isso, eu assistia coisas absurdas, como a sutileza do diego, que acabava que fortalecia ainda mais a presença dele, a força e a leveza do guilherme, que fazia com que realmente eu aproveitasse o texto que ele dizia, e embarcava, mas tenho que confessar que eu esperava mesmo um bom trabalho vindo deles, porque tinha um comparativo de qualidade anterior, esperava mesmo que fosse ainda melhor e foi, muito belo e bem executado, agora a minha boca se abriu mesmo pra rai e pro tiago, se abriu de um aberto descomunal, não sei se porque na outra peça eles faziam um bom trabalho também, mas era um trabalho meio camuflado, onde eles se misturavam entre si, então não dava pra saber, quem fez uma coisa boa ou outra, apenas se desenrolava, mas agora, nesse, foi diferente, eu não tenho palavras .Ela porque é uma atriz muito consistente apesar de ser bem nova ,que se entrega toda de uma forma que eu poucas vezes vi, é inteira demais! e ele porque como é difícil usar o corpo de forma acrobática sem parecer "galera, olha o que eu sei fazer com meu corpo, é demais!!" Ao contrário, ele quase me disse : "eu agora vou recitar um poema e você pode entrar se quiser, mas a boca nem vai se mexer, presta atenção" e foi, foi lindo. Os quatro se entendiam perfeitamente e me traziam coisas que dá até orgulho de  pertencer a essa classe de loucos, suave destruidor e exposto, muito exposto.A trilha e os múscos eu nem preciso comentar, porque não entendo quase nada de música e na minha opinião não tinham defeitos. E acabou.Vendo os quatro ali recebendo os aplausos pensava: nossa ,merecem muito!
Saí dali de dentro meio transtornada, tentando entender o máximo possível (ao meu lado tinha um cara de camiseta branca que parecia passar pela mesma coisa que eu), e não tinha ninguem pra comentar , mas ok porque não sei se conseguiria comentar mesmo, mas fez falta .
 Nisso vem o ruy (que nesse momento não era ruy filho, mas quase um ruy pai) me dar um abraço e foi exatamente  naquele momento que estalou um tecla e eu pensei : é isso!
E entendi todas as questões que vinham me perturbando a tanto tempo : nas peças do antro exposto é impossível racionalizar,por mais que se queira, não dá! (e nesse momento o meu cérebro que estava partido em tantos pedaços quanto botões naquele chão, se juntava e me trazia paz)
bom pra mim que descobri isso, ruim para seu arlindo(taxista recifense que mora no tatuapé e é casado há 12 anos com a dona maria do socorro e não tem filhos, ama o  rio de janeiro e pretende juntar dinheiro pra passar férias aqui e depois voltar pra sua terra pois não aguenta são paulo onde o céu ou é cinza ou é roxo ,raramente azul, mas tem trabalho) que tentava me ajudar fingindo que entendia tudo que eu tava contando nos 45 minutos que estivemos juntos.

que me lê e acompanha , em silêncio , ou se manifestando vá assistir emvão!
vale a pena ver são paulo e vale a pena acompanhar essa galera, que já adivinho o futuro e é grande, bem grande.

beijo de mochila.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

fica quieta!

voltar ao mesmo assunto me interfere,
porque meu raciocínio fica tentando andar,
ir pra frente, não se prender, mas acontece
que a minha cabeça cisuda e teimosa não
me deixa seguir adiante enquanto eu não esgotar tudo que tenho
que por pra fora, a melhor forma é assim,
de madrugada, quando todos foram dormir
e eu continuo insone, em silêncio, rolando
na cama de um lado pro outro com o estômago ardendo
de nervoso, as mãos já quase machucadas de fricções repetitivas
entre si, e o maxilar doendo dos movimentos repetitivos de seguidos
chicletes. não desacelero quando penso, sendo que o problema é que
eu penso o tempo todo,
venho de novo pra frente dessa tela, olhar pras minhas
inspirações e ver se passa o tempo,
encontro escritoras que julgava verdadeiros
gênios não descobertos e leio,
perco meu tempo, achando que ia acalmar meu desgosto,
mas ele não cessa, triplica.
tem mesmo que ser sempre tudo sobre o amor?
tem mesmo que ser poético e subjetivo,apenas pra
mandar recados em forma de indiretas pro objeto de desejo querido?
tem que ser essa coisa rasa, camuflada de funda, mas que na verdade
tem como único objetivo mostrar ao mundo que relações carnais são complicadas,
foi só pra isso?
é só por isso?
e a beleza de existir fica aonde, no outro? pro outro?
sempre um homem? um falo? uma necessidade desesperada de mostrar ao mundo que tem(ou queria ter) companhia idealizada que vive na borda das expectativas irreais de uma fêmea globalizada?

sinceramente, eu não sei mais o que faço,
no momento prometo somente não tocar mais nesse assunto,
mas podem ficar sabendo, que ele continua me remoendo
e assim será, até que meus olhos se fechem para sempre,
ou até que eu encontre algo que realmente valha a pena.

espera, acabei de achar um site chamado "escritoras suicidas",
pode ser que...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

eu constato.

não tenho tido tempo pra ficar sozinha com meus pensamentos
motivo: superpopulação do meu ego.

o ser.(não ser não me existe como opção)

trazer coisas
traga coisas
faça aquilo que você não faz
entenda o que é arte
e que ela não pode ser entendida
e nem conceituada
muito menos por você,
que ainda não passa de um filhote de gato,
cresça
pare de se auto-mimar
não seja condescendente
descubra os seus defeitos
não acabe com eles
compreenda e exorcise-os
escute o que os outros te falam,
mas não tudo,
dê espaço para a intuição completa por
alguma sensibilidade
não tenha preconceito
não seja careta
engula críticas bem duras,
como quem come um doce
doado no são cosme e damião,
aliás , não coma muito
também não beba muito,
porque é melhor
ter todos os demônios dentro de
você domados, antes que
te transformem num addicted
não fume
não seja radical
não seja eclético,
isso é coisa de quem não
consegue aceitar que a própria
personalidade não se encaixa
no lugar em que está,
mas seja aberto,
aprenda a concordar
aprenda a discordar
faça análise pra sempre,
sem previsão imaginável de alta
exiba
exponha-se
dê aos outros o que é seu,
mas que doa bastante
e ponha de volta o dedo na
ferida, quando ela der sinais que
vai cicatrizar,
se desrecalque,
entenda as suas origens
seja verdadeiro consigo
seja verdadeiro com os outros,
não minta, nem em pensamento
e não se esconda nada
saia dos padrões e se acostume com isso
o prazer de ser marginalizado
não se meta onde não é chamado
não perca uma oportunidade,
não perca uma oportunidade de calar a boca,
não gaste dinheiro desnecessário,
memorize no seu corpo todas as ações do cotidiano
de forma simpática pra que elas se façam simpáticas
quando precisarem sem ativadas sem
que sejam grotescamente imitadas,
acorde, o tempo todo
acorde.

mesmo sabendo, que no mundo todo,
só existem você e mais uns gatos pingados.
uns que tem ar de moeda de ouro,
e de troco
me olham como se eu valesse um centavo.

desobediente.

eu peço pro meu cérebro:
não produza coisas infantis
ninguem precisa saber,
o que você sente (?)
em relação a nada,
não precisa formatar um manifesto
revolucionário de acordo com suas inconformidades
por dia,
ele não me obedece, mas continuo
dou palmadas nele e digo:
ser maduro no meio de um monte de pós adolescentes
mal acostumados é fácil, difícil é ser gente grande de verdade!
ele não só não me ouve, como ainda tampa os ouvidos
rebeldia de quem só usa 10% da capacidade.

domingo, 18 de abril de 2010

mulheres maquiavel?

Eu gostaria imensamente de saber, mesmo que só um pouquinho, aonde estão as grandes mulheres do meu tempo.
Não as poetisas, as profundas, as não analisáveis, as românticas non-sense da moda incuráveis,com essas não perco meu tempo, são óbvias só fugindo da obviedade.
Queria saber por onde andam as baudelaires, as kafka, as artauds, as kurt cobain, pelo amor de deus, alguem pode me dizer aonde andam as mulheres almodovar, as mulheres thomas vintenberg,que seja!
Alguem ouviu falar de uma mulher Steven Spielberg?
Tá bom, alguma Che Guevara?
Ô, to aceitando uma Hitler, só pra me conformar que essa baboseira toda um dia vai ter fim e seremos mais que uma porcaria de um gênero recém sexualizado pedaço de carne romantizado em busca do relacionamento ideal no século 21, néo feminismo inexistente de bosta, começo a expressar sinais de raiva.
Tem visto uma mulher Bach?
Uma Deleuze?
Freudzinha?
Posso me iludir com uma Beckett?
Não?
Aquelas completamente dedicadas a conseguir algo a qualquer custo,com uma teoria genial , autoral, que vai mudar o mundo tanto quanto a lei da gravidade(falando nisso, alguma Newton?) independente de qualquer idiotice ultrapassada de fragilidade de sexo, cade elas?
As musicistas geniais, as matisse, as verlaine, qualquer coisa, voltaire , sei lá, as Niemeyer, as bresson, as bob wilson,
cade elas que não fazem questão de cabelos perfeitamente escovados,casamentos, vestidos rodados,romances com trilha , amores impossíveis, estilo descolado e estar numa "boa vibe", ter um estilo alternativo e ser muito, mas "muito individual"?
cadê elas, se alguem achar, avisa que eu to procurando, tipo desesperadamente pq depois de tanta baboseira e lavagem cerebral, eu ando precisando de inspiração, impressionante.
Culpa da genética sócio cultural. que vontade de xingar um palavrão aqui nesse fim.

http://www.youtube.com/watch?v=Ut2osCQ1OjA

não consigo colar o vídeo aqui, entrou no título, então, enjoy it!

um tempo pro tempo.

Não, não vai voltar
a cada minuto que passa termina mais
o que começou
e recomeçou , hoje de manhã, ontem de tardinha
agora e sempre
ele não parou pra me esperar, quando eu pedi,
um pouquinho pra decidir
um pouquinho pra duvidar,
e ele vai
ele é um menino idoso que nasce e morre em
frações ele todo
ele não passou de pressa
quando eu não queria esperar
ele me ensina
que quem me ensina
sou eu mesma , nele todo
sem ser ruim demais
e essa voz que se repete
na minha cabeça, começo a acreditar
que é ele
me cobrando
pra ser sempre,
sempre mais.