sábado, 19 de dezembro de 2009

retrato-falado

Procura-se um amor perdido,
que na verdade nunca foi encontrado
e com a poesia abstrata de um conto,
segue retrato falado:

Ele tem a temperatura de uma lambida de
cachorro, ou cafuné de mãe,
parece com o primeiro dia no jardim de infância,
e o ultimo dia do segundo grau.

É um amor pizza e coca-cola,
grama molhada de chuva,
com areia na cara
Dá beijos sabor tutti frutti,
com pitadas de seda de almofada

Como vento na estrada,
simples,
bem simples.
Nada de imensas paixões
só banana e farinha láctea

Giz de cera quebrado no meio
e tinta gouache lambuzando os dedos
já em cor indefinida,
misto com sol de tarde na praia
e abraço forte antes da partida

Festa de aniversário,
primeira vez que a mãe deixou ir a boate
aquele porre sem ressaca
ou qualquer outro disparate

Obvio como o nascer do sol na montanha
frio, debaixo da coberta
gosto de chocolate quente,
ou de um copo bem gelado de vodka

Eu quero um sentimento queijo e presunto
5 minutinhos a mais de sono,
tranquilidade de pousada pra idosos
furacão nas horas vagas

E que ele tenha perfume de criança
e sorria com dente separado
chore com a força de quem
leva um tombo,
ou de quem morre de gargalhada

Mas que não faça tanta força,
nem exagere nada,
apenas recorte cartolina em forma de estrela
e me dê uma galáxia


E mesmo que não tenha pijama de bolinha
seja sorvete de creme com pasta
ou que apenas faça panquecas
e suba descalço no pé de goiaba

Com os olhos cor de arco íris
e os pés do tamanho de barcos
sem cadarços amarrados,
ou ternos, ou gravatas

Apenas bigode postiço
e roupa mordida de traça
chiclete que deixa a língua azul,
interior num banco de praça

Eu quero um herói bem comum
que saiba abraçar apertado,
ou que me olhe no fundo dos olhos
mesmo que eu não esteja acordada

E que ele toque piano
ou guitarra prateada
mas mesmo que me grite um tango
que tenha cara lavada.

Eu procuro um amor hediondo,
com ombros que suportem o céu
ou que conte como um ano
os dez minutos que não possa me ver

Eu quero um amor babaca,
tanto quanto um saco de risadas
e que faça todos os planos,
sem me incluir em nada.

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